• Estrada Fora

Amanhã não é sempre longe demais!

Já nos conhecíamos havia muito, não na totalidade, mas em grande parte... pelo menos, que me lembre. E, como tal, nunca tínhamos percorrido tantos quilómetros juntos, uns aqui, outros ali e havia sempre aqueles esquivos que nunca tinham sido percorridos. Indefinidamente adiados para amanhã, sempre amanhã. Esse dia que teima sempre em não chegar... ou quase. Esse dia procrastinador que sabe sempre amanhã também há amanhã.



Mas esse é um dia que, felizmente, é pobre porque não sabe que, por vezes, amanhã não há amanhã e vira hoje! Esse dia, pobre coitado por não saber que não é eterno, virou hoje esta semana. Quilómetros e quilómetros de estrada pela frente, paisagens em constante metamorfose, ambos longe de saberem que, eles sim, não têm fim e continuam sempre eternamente. Não por não haver um momento em que não têm por onde continuar, por onde mudar, mas antes porque podem ser percorridos vezes e vezes sem conta, sempre com um olhar novo, sempre com uma nova descoberta Estrada Fora.


É isso a mítica Nacional 2, a mais longa estrada da Europa (imagine-se, naquele que é apenas o 18º País do Velho Continente em termos de área). É um constante mutar de paisagens, de clima, de gentes, hábitos e costumes, um incessante #AiPrasCurvas. É um país rasgado de Norte a Sul, um bailar de curvas e contra-curvas por entre montes e vales, através de rios, por rectas a perder de vista. É um mundo inteiro num rectângulo à beira-mar plantado.


É o retrato de uma vida, que começa irrequieta, sinuosa, repleta de altos e baixos, como os jovens, que depois acalma e aplana, nos traz a certeza de um caminho em frente, com algumas mudanças tranquilas, como na vida adulta, e depois, mesmo antes do final, nos expõe às fragilidades de mais uma série de mudanças inesperadas, galopantes, como as que nos surgem no final dos nossos dias.


A diferença aqui, é que é uma vida que podemos viver, que podemos fazer, sentir, experienciar vezes sem conta, sempre com a certeza que a cada partida algo de novo se apresentará ante nós.


Ainda não foi desta que a rasguei inteira de Norte a Sul (quase), mas foi a primeira que a fiz com quem por cá ficará depois de mim, numa aventura que nos ficará para sempre marcada na mente. Foi a primeira vez que acabei por a conhecer toda (o que não fiz agora já o percorri noutras partidas), ou pelo menos ver-lhe o corpo, o que a enche de alma... o que nos enche de alma e nos deixa com a certeza que, a cada regresso, nos apaixonaremos sempre por ela de uma forma nova... e ela por nós, porque nunca nos quer ver partir de vez e nos reserva sempre uma nova surpresa para mais um regresso.


O próximo... será inteiro, de uma só vez, toda, como tantas vezes na nossa vida as coisas têm de ser feitas e vividas de uma só vez... como se não houvesse amanhã!

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