• Fora de Estrada

Aquela Curva… a dos aiiiiiisssss.


Primeira, segunda, terceira…. aperta com isso!

Estrada fora ou fora de estrada, quarta, quinta

O vento, a paisagem... e “aquela curva!”



A vida tem em si mesma muitas curvas! Rectas também! Mas são as curvas e o modo como as fazemos e desfazemos que acabam por ditar o nosso ritmo, o nosso andamento e muitas vezes o nosso destino. Em determinadas curvas apertamos o punho confiantes, noutras e tolhidos pelo receio cortamos gás, metemos uma abaixo e esperamos que o motor do nosso destino segure tudo.


Por vezes, mesmo que a curva deixe antever como termina, entramos devagar, sem pressa, noutras vamos “à campeão”, noutras nem damos conta de ter passado. Certas curvas repetimos, outras fazemos apenas uma vez, e depois há… as outras curvas.


Aquelas que só nos aparecem uma vez na vida e não voltamos a passar por lá, ou simplesmente fizeram parte de um trajecto que deixámos para trás com um leve vislumbre pelo retrovisor.


Não há uma maneira nem forma – bom, talvez haja! Em circuito, e mesmo assim?!?! – correta de fazer e desfazer uma curva… a própria aprendizagem para o fazer é em si mesmo uma curva. São tantas as maneiras de as abordar e por vezes, mesmo repetindo a técnica e colocando os pneus nos mesmos centímetros de alcatrão a saída é diferente.


Com tanta curva e contracurva, estrada fora ou fora de estrada, todos temos “aquela curva!” A dos aiiiisss!

E não quero com isto dizer que seja a curva do tradicional “Ai Jesus!”. Quero antes, com isto dizer, a curva que nos surge entre duas rectas e que sem sabermos bem como, porquê ou quando, nos atira ao chão. Pouca importa se íamos a fundo, mudança certa, pé no chão ao melhor estilo dirt track. Pouco importa se íamos a medo, cautelosos e a tentar antecipar a saída. Pouco importa se foi ontem a primeira vez que nos sentámos na sela ou se andamos por curvas desde que temos consciência do que é um motor ou o cheiro a gasolina. Pouco importa!


Perdemos o equilíbrio, “borramos” as calças, sentimos o coração na garganta, metemos uma abaixo, esmagamos o pedal direito, fazemos uma revienga, apontamos o farol para todas as direções possíveis, mas….


A QUEDA É INEVITÁVEL!!!


(Calma, não se apoquentem, não acabei de me “esbardalhar” por aí numa curva qualquer e não estou a escrever com os cotovelos queimados e a pele raspada…).


E agora!?!? Pensamos!!! Pu** de vida! Pu** de curva!

Não estávamos à espera, como nunca estamos!


Sentadinhos ali no vértice da curva, incrédulos e sem perceber que raio aconteceu, começamos por tentar perceber se das pestanas aos dedinhos dos pés tudo mexe! Segue-se um olhar em redor! Soltamos um “fod***!” ao perceber que mota já era! Chegam rapidinho a cólera e a sensação de injustiça, que normalmente namoram com a autoestima (vítima ela própria duma bela queda). Tudo juntinho… e com convite a umas lágrimas de carpideira porque o mundo (olha, olha o drama a chegar)... acabou...


“PARA SEMPRE!”


O tempo passa, tiramos as luvas, o capacete! Sacudimos o pó dos jeans novos (sim, é sempre quando temos calças novas!), e devagar, por vezes devagar demais pois ficamos a remoer na maldita curva e no motivo da queda, lá ficamos finalmente de pé… até que um dia, com a alma lavada, uns jeans novos, as velhas luvas e o “casco” de sempre, nos voltamos a sentar na sela. Já sabemos onde é aquela curva, aquela que nos fez crescer e ficar um pouco mais “aí prá’s curvas".


Lá vamos nós. Primeira, segunda, terceira…. Estrada fora ou fora de estrada, quarta, quinta… o vento, a paisagem… e lá vamos nós de novo para as curvas. Numas apertamos o punho confiantes, noutras e tolhidos pelo receio cortamos gás, metemos uma abaixo e esperamos que o motor do nosso destino segure tudo…


Só não sabemos uma coisa! Qual a próxima curvas dos “aaiiisss”. É que a vida não vem com GPS nem RoadBook! Não tem manual de instruções! Não nos diz nunca se é para entrar à confiança ou a medo! É a vida… aquela que não pede licença para entrar ou sair, nunca pede desculpa e muito menos faz advertências ou publica avisos.


É apenas e só uma longa curva que todos esperamos desfazer e sair para uma recta que nos mostre que afinal estamos “aí prá’s curvas”.


E eu? Bom, acabei de meter uma abaixo e já vejo a recta...


"Pu** que Pa***! g'anda curva pá!"

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