• Fora de Estrada

… Dos invisíveis!


Todos os dias temos para com quem nos cruzamos uma de duas atitudes!


O cumprimento – mais ou menos sorridente; mais o menos efusivo; mais ou menos entusiasta – ou o não cumprimento – seguindo o nosso passo diário, virados para o nosso mundo.



Estamos por estes dias, obviamente, saturados de tanto ouvir falar do mesmo - #covid19 , #ficaemcasa , lava as mãos, pratica o afastamento social – estamos igualmente saturados de estar “fechados” em casa, de não poder abraçar, de não poder beijar, de tudo se fazer com um breve intervalo para lavar as mãos ou encharcar as mesmas em álcool etílico. Estamos tão saturados disto como de não saber como, quando e de que forma irá terminar.


Sim, o ser humano vive de metas e objectivos. Vive de prazos e datas. E no fundo não as ter é viver sempre na dúvida… e a dúvida, já diziam os antigos, é o que mata. E de certa forma mata mais do que qualquer vírus, qualquer pandemia, qualquer outra variável mensurável.


A dúvida mata devagar, porque consome, porque dura e custa a passar… e por estes dias, morremos devagar.


Se calhar (bom, se calhar não, de certeza), até seria bom termos outras parangonas… o que é feito do processo da Isabel dos Santos, dos escândalos da arbitragem, dos processos contra políticos?


Aposto que até do trânsito infernal já há saudades.


Mas dizia eu… Todos os dias temos para com quem nos cruzamos uma de duas atitudes!


O cumprimento – mais ou menos sorridente; mais o menos efusivo; mais ou menos entusiasta – ou o não cumprimento – seguindo o nosso passo diário, virados para o nosso mundo.


Por estes dias na nossa solidão e reclusão quase obrigatória, dei por mim a olhar pela janela para um infinito tão distante como o fundo da rua, da praceta, do jardim, ou do que quer que seja que a vista da janela nos permite ver.


E passou o carteiro….


Um breve sorriso na sua passagem. Um sorriso que ele não viu! Um pouco depois os funcionários da recolha da reciclagem lá passam num pára-arranca de camião que chia a cada travagem fazendo-se anunciar. E pensamos…. estas pessoas… as invisíveis no dia-a-dia, as que nunca cumprimentamos, estão na rua. Asseguram, correndo riscos que acredito nem serem possíveis quantificar, alguma normalidade no funcionamento dos nossos agora atípicos dias.


Hoje, o carteiro passou, paroutocou à campainha.


Atendi com um sonoro "BOM DIA" e um sorriso largo… era engano. A encomenda era para a porta ao lado. Quando virou costas para seguir o seu trabalho, eu, sem saber como ou porque dei-me conta de lhe dizer…


- “Desculpe! Olhe… Obrigado pelo seu trabalho! Obrigado por todos os dias que não lhe agradeci. Mantenha-se seguro, dentro do possível!”


Estancou, olhou-me, abriu um sorriso humano, o sorriso que também ele não dá a quem não conhece e respondeu…


- “Olhe, amigo (sim, amigo!), Obrigado! Sinceramente! Obrigado! Só eu sei como ando de coração apertado sem saber o que levo para casa no final do dia! Mas olhe, vai tudo ficar bem!”


É verdade!


Damos por garantidas pequenas situações que nos passam invisíveis ao olhar, à atitude, à rotina… mas por estes dias, não há ninguém mais #aiprascurvas do que estes profissionais que tal como nós também regressam a casa para os seus sem saber o que levam com eles.


E no caso do Sr. Luís (sim, hoje perguntei-lhe o nome, para amanhã lhe puder dizer “Bom Dia Sr. Luís!), não são as cartas que ele deixou para trás.


A ele e a todos os #aiprascurvas “invisíveis”… Obrigado!

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