• Estrada Fora

Janelas

Janelas, sempre gostei de janelas. Não por um motivo em particular, mas por todos e mais alguns. A começar porque a menina está à janela de cabelo à lua e nós, aqui, à espera de uma prenda dela.



Porque a janela é romântica. Não me recordo de uma pessoa que tenha namorado há porta, mas há por aí alguém que não tenha pelo menos menos uma vez ouvido falar de namoros à janela? Não creio.

Mas a janela é também um sítio onde se pode estar, onde se pode abusar de estar, já uma porta é local de passagem, de serventia, não é sítio para ocupar com contemplações.


A janela é também algo a que se assoma nessa constante vontade, nesse incessante desejo irrequieto de ir mais longe, de ir mais alto. A janela é um rasgo, o que só por si é uma ousadia, um desafio, um atrevimento. Uma porta é apenas uma abertura e tem pouco de aventura.

À janela espreita-se, através dela, para fora, em busca do sonho, ou, os mais afoitos atrevidos, para dentro dela. A janela mostra-nos o mundo, o nosso aos outros e de todos a cada um de nós. Já a porta só se abre ao mundo, mas quantas e tantas vezes se fecha a ele.

É aí, quando as portas se fecham, que a janela se mostra em todo o seu esplendor, abrindo-se sempre uma. Só a janela, sempre a janela, sempre mais pequena, é portadora de esperança e forte o suficiente para se abrir ao estrondo de cada porta que se fecha.


Este é o ano da janela. Com as portas, todas elas, ou muitas delas, a fecharem-se de par em par e as janelas, sempre teimosas, aventureiras, esperançosas, a abrirem-se, tímidas mas ousadas, de quando em vez, umas ariscas, mesmo de par em par.


Sei que tu, sim, tu aí desse lado, deves ter levado com umas portas na cara nestes últimos tempos, mas sei também que umas janelas viste abertas e outras fizeste por abrir.


Janelas, este é o ano delas e, sabes, mais do que portas, muito mais do que as portas, as janelas estão sempre #aiprascurvas.

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