• Fora de Estrada

O adjetivo da Parentalidade

Atualizado: 19 de Mar de 2020

Tenho um amigo de longa, longa data (daqueles de infância), que me ligou nos primeiros dias de agosto de 2012 para me dar os parabéns pelo nascimento da minha primeira filha. A conversa habitual sobre como correu, como está a mãe, tamanho e peso da recém-nascida…


Este amigo, antes de desligar… lançou-me nesse dia um desafio!


“ – Quando arranjares um adjetivo para descrever o que sentiste no momento em que nasceu, liga-me e diz-me qual é!”



Volvidos todos estes anos e já com uma família de quatro, continua por resolver. Continuo sem descobrir o tal adjetivo.


Mas mais do que esse adjetivo, nunca encontrei um manual de instruções, um pdf, nem mesmo uma lista de FAQS que sirvam de norte a esta jornada sem fim (bom, um dia, que espero longínquo terá um fim), de ser Pai.


A aprendizagem faz-se por tentativa erro! Escutam-se os antigos, ouvem-se as tias, absorvem-se aconselhamentos, degustam-se palpites, filtram-se verdades absolutas e pós de perlim-pim-pim de tempos idos. A pomadinha para isto! A malga daquilo! A receita de aquel’outro!


Amanhã, por calendário e por óbvios interesses capitalistas, celebra-se mais mais um “Dia de”.


Há nesta nossa sociedade, todos os dias, um “dia de”…que, por um lado na sua essência de consumismo capitalista é só mais um motivo para comprar uma cena qualquer, e por outro, na sua essência da vivência imediata, serve para encher feeds de redes sociais.


Pois bem, 19 de Março é o Dia do Pai… este ano celebrado de forma distinta! É dia do Pai e também da entrada do estado de emergência. É dia de fazer aquele desenho especial, aquele bolinho especial, mas também de tentar comprar pão com luvas de latex e máscara, num clima de falsa tranquilidade em que “todos diferentes, todos iguais mas se calhar há aqui uns quantos bacanos (se fosse “A Doninha, seria “a mais”), que podem tossir para cima de mim!”.


Arranjaremos, obviamente, forma de o celebrar dentro das novas realidades de cada lar em quarentena. Arranjaremos, obviamente, tempo para encher os feeds das redes sociais. Arranjaremos, obviamente, forma de celebrar este “Dia de..” como arranjamos para celebrar todos os “Dias de…” de todo o ano. E sem desvalorizar este ou qualquer outro “Dia de…” penso no tal adjetivo que não encontro e todos os anos neste dia relembro o desafio!


Não tenho o adjetivo, mas tenho outra coisa… os momentos!


P de Pai…

Pai Colinho!

Pai Trator!

Pai Sofá!

Pai Baloiço!

Pai Aventura!

Pai Herói!

Pai Agente Secreto!

Pai Babado!

Pai Vigilante!

Pai Ausente!

Pai Cansado!

Pai Medicamento!

Pai Palmada!

Pai Sorriso!

Pai Professor!


Pai 360º e 365 dias! … ahhh! Exacto! Pai 360º e 365 dias!


Tal como a, quiçá ainda mais importante, Mãe 360º e 365 dias, pois sem ela Pai não seria! E o Avô (Pai duas vezes), 360º e 365 dias! E a Avó 360º e 365 dias! Todos 360ª e 365 dias #aiprascurvas.


Não sei até quando irei procurar o tal adjetivo…

Mas peço-vos “please pardon my french” até porque sou um tipo “aíprascurvas”, o melhor “adjetivo” que encontro é este P… de Pai, (mas 360º e 365 dias (às vezes 366!)).


Aí Pras'Curvas!

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