• Estrada Fora

O problema é que não basta... mesmo!

aqui escrevi que, depois de vários anos perdido na pressa de chegar, esqueci um hábito que não devia ter esquecido e, finalmente, reatei. O hábito de deixar de lado a autoestrada, não por custos, mas por prazer, e esquecer o tempo. Fazer a viagem por fazer, Estrada Fora, olhando ao que se espraia ante o olhar, desfrutar e, mais importante, aproveitar o que outras paragens mais calmas nos podem oferecer.



Foi nesse reatar de um hábito que, quando mais jovem não lhe compreendia o significado, (re)encontrei um poiso, um ritual, que sem o qual agora raramente passo: Alcácer do Sal.


Esquecido, afastado das portas de Lisboa, sozinho no Alentejo, a caminho de quase tudo e ainda longe de todos os destinos. Foi aí que voltei a parar insistentemente nas minhas idas para Sul e foi também aí que encontrei um retiro fantástico. Tão fantástico que são raras as vezes que não programo as partidas de forma a garantir a necessidade de almoço nessas paragens.


É uma distância e um tempo de viagem Quanto Baste para garantir um bom repasto, mas... o problema é que não basta... mesmo! E não basta porque é preciso sempre voltar.



O espaço, em frente ao Sado e com a velha ponte, ainda hoje em uso, como fundo é o local ideal para um intervalo numa viagem sem horas.


É claro que nunca faltam os pequenos camarões do rio, vendidos por umas quantas senhoras que querem sempre que os compremos a uma e não a outra ou, então, a todas. Daí ao repasto é um salto.



Com um atendimento despreocupado – têm o terrível hábito de nos fazer sentir em casa. Daquelas coisas estranhas que se nos entranham na pele e queremos sempre repetir. Mas também isso não basta... nada basta aqui.


Nem o tempo, que acaba por nos fugir vagarosamente, como só o Alentejo o sabe fazer fugir. E a isso junta-se a mão de quem confecciona os pratos que nos trazem, cada um melhor que o outro.


Os arrozes, uma das minhas perdições, são de se lhe tirar o chapéu, assim como o peixe, a carne e as sobremesas. Mas... quando chega a altura dessas normalmente a barriga já não basta.



E no remate, o preço. Esse sim, talvez seja a única coisa que basta neste recanto. Ou melhor, é em conta, é justo, é o que, ao lado da qualidade da comida e do serviço, me faz sempre voltar Aí Prá’s Curvas a cada vez que me preparo para cruzar o Sado.


P.S.: E o melhor é que nos deixam comer os camarões que comprámos às varinas antes de entrar #AiPrasCurvas!


P.P.S.: Ai quando a #quarentena acabar...

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